Jaguar E-Type: o mais belo
Compartilhe
O carro mais bonito já feito já passa dos 60 anos. Há seis décadas, em seu lançamento no Salão do Automóvel de Genebra, em março de 1961, o Jaguar E-Type não apenas roubou a cena do principal salão automotivo europeu, como estampou manchetes no mundo inteiro. O "Commendatore" Enzo Ferrari descreveu o novo Jaguar como o carro mais bonito já produzido.
Mas todo o lançamento na Suíça quase terminou em desastre. A montadora fizera questão de que jornalistas britânicos testassem o modelo no Reino Unido antes do salão, o que deixou pouquíssimo tempo para levar o carro até Genebra. No fim, o relações-públicas da Jaguar, Bob Berry, dirigiu a toda velocidade desde Coventry, chegando 20 minutos antes de os panos serem retirados. "Bom trabalho, Berry", teria dito o fundador Sir William Lyons, enquanto o carro era apressadamente limpo e colocado em exposição. "Achei que você nunca ia chegar." Diante da demanda frenética para testar o veículo, Lyons decidiu que um segundo "E" seria necessário. O piloto de testes Norman Dewis foi convocado para fazer o mesmo trajeto com um protótipo pré-produção do roadster. Cumpriu a missão em 11 horas, a uma velocidade média de 68mph.
Vai surpreender muita gente saber que a carroceria do E-Type não nasceu de um exercício puro de estilo nem de testes exaustivos em túnel de vento. O aerodinamicista-chefe da Jaguar, Malcolm Sayer, criou a forma do carro em bases puramente matemáticas. A experiência prática viria a comprovar seu baixíssimo coeficiente de arrasto. Curiosamente, o próprio William Lyons também teve papel relevante na definição das formas do E-Type (e de tantos outros Jaguars), apesar de não ter qualquer formação técnica.
Mas a beleza não foi a única grande surpresa. O novo Jaguar era rápido, rápido de verdade. Seus 265cv só eram vistos em carros de corrida ou em produções limitadas como Ferrari e Aston Martin. A revista Autocar registrou os melhores números de desempenho já medidos até então pelo veículo, afirmando que ele entregava "o que os motoristas há tanto pediam: desempenho e dirigibilidade de carro de corrida, aliados a docilidade, suspensão suave e os requintes de um carro urbano." Do outro lado do Atlântico, a Road & Track observou que o carro "supera todas as nossas expectativas."
Todo esse pacote poderia parecer caríssimo, mas, relativamente, não era. No lançamento, custava £2.160, cerca de metade do preço de um Aston Martin DB4 e um terço do valor de uma Ferrari 250 GT. Para muitos, o novo Jaguar de desempenho de corrida era um sonho ao alcance.
Enzo estava certo. O E-Type se tornou um ícone pop britânico dos anos 1960 e segue frequentando os cinco primeiros lugares nas listas dos carros mais bonitos já feitos. Uma das primeiras instituições culturais a reconhecer sua importância mais ampla foi o MoMA, de Nova York, que adquiriu um roadster de 1963 para seu acervo em 1996. Na época, era apenas o terceiro automóvel a integrar o museu.


