Entrevista: Roberto Suga
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(Foto: divulgação)
Nascido no bairro da Aclimação, em São Paulo, Roberto Suga se encantou pelos clássicos vendo um vizinho passar em frente à sua casa com diversos modelos americanos dos anos 60 e 70. Um dia o abordou e ali começou uma amizade, que o apresentou às principais lojas de antigos e ao clube de jovens colecionadores, criado por João Carlos Pozzoli. Nunca imaginou que um dia seria presidente da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA) e membro do FIVA Heritage Hall of Fame.
Qual foi seu primeiro carro de coleção?
Ainda estudante, ingressando na universidade, meu pai comprou um Pontiac Firebird 1974 Formula 400, que temos até hoje. Talvez esse tenha sido o impulso para começarmos a frequentar o universo dos carros antigos.
Qual carro você sonha em acrescentar à sua coleção?
Nunca tivemos carros pré-Guerra, mas depois de frequentar tantos eventos você começa a dar muito valor àquilo que é feito de forma artesanal, carros construídos realmente para durar, ter performance e robustez. Não penso especificamente em uma marca, mas penso em ter algum modelo anterior a 1945.
Qual o momento mais emocionante que você já experimentou na sua carreira de antigomobilista?
Difícil escolher um, porque desde o início dos anos 80 foram muitos. Participei do primeiro Encontro Paulista de Autos Antigos, organizado pela Edenise Carratu e seu marido Nilson, em Águas de São Pedro, e ali, com um Cadillac Fleetwood 1974 azul, fui premiado, com meus pais presentes. Aquilo foi muito emocionante. A partir dali fui para o Clube do Chevrolet, entidade que me levou a conhecer o Brasil inteiro através das caravanas de carros antigos. Isso impulsionou minhas relações com tantos amigos no antigomobilismo e algumas conquistas, como a Resolução 56, publicada em maio de 1998. Também não posso deixar de mencionar a emoção de ter compartilhado vários eventos com meus pais, em várias partes do Brasil. Com minha mãe, dona Edith Suga, ainda mais atuante, fizemos um rali na China com um Cadillac 1961 conversível, cedido por colecionadores locais.
Apenas dois brasileiros integram o Hall da Fama da FIVA, Og Pozzoli e você. Qual a sensação de fazer parte deste seleto grupo?
Não se trata só de uma emoção pessoal. É um orgulho para o Brasil. É a consequência do movimento de preservação dos colecionadores e da representatividade da FBVA, conquistada pelo trabalho de muitos voluntários.
Quais das suas inúmeras realizações você acredita que garantiram seu reconhecimento pelo júri da entidade?
Quando nós assumimos a presidência da FBVA, em 2014, o mais importante era retomar a presença do Brasil nas assembleias gerais anuais da FIVA. E assim foi. Convidamos o então presidente da entidade, Patrick Rollet, a conhecer o encontro paulista, em Vinhedo, o encontro nacional, em Águas de Lindóia, acervos importantes e o concurso de elegância, em 2017. Depois veio seu sucessor, Tiddo Bresler, no Congresso Brasileiro de Antigomobilismo. Acho que isso começou a revelar a importância e a evidência do Brasil e a legislação existente aqui. Tudo isso fez com que a última década fosse de muitas transformações.
Houve alguma batalha perdida, algo por qual você lutou e não conquistou para o antigomobilismo nacional?
Eu não diria que houve batalhas perdidas. Assumimos grandes desafios, e graças ao engajamento de voluntários e diretores regionais conseguimos mostrar a capilaridade da federação e melhorar a interlocução da entidade, considerada até então distante dos clubes. Evidenciamos também o poder cultural e turístico do antigomobilismo.
Em 2021, a FBVA divulgou uma pesquisa encomenda pela FIVA que revelava que o mercado de antigomobilismo no Brasil movimentou R$ 32,6 bilhões em 2019. Uma nova pesquisa atualizando esses números já está em curso?
Creio que a cada dez anos seria importante atualizar esses números. Mas só o fato de já termos esse primeiro estudo mostrou uma grandeza da qual não tínhamos noção. Tínhamos um número muito conservador, mas a metodologia da FIVA foi importante para nos revelar o tamanho desse segmento no Brasil em relação a outros países, sobretudo os europeus.
Na sua opinião, o que pode mudar no mercado nacional de clássicos após a abertura do museu da Fundação Lia Maria Aguiar?
O importante desse museu é que no seu acervo consta a coleção do Og Pozzoli, reconhecida internacionalmente. Isso realmente faz com que tenhamos uma projeção mundial. Vale citar também a escola de formação de jovens para restauração, o que amplia a importância dessa iniciativa.