A 445 km/h, você espiaria o painel do Bugatti?

A 445 km/h, você espiaria o painel do Bugatti?


Nome do novo Bugatti vem de tecnologia usada na alta relojoaria há mais de 200 anos. Foto: divulgação

Não deve ser conveniente espiar o painel de instrumentos a 445 km/h, a velocidade máxima declarada do Tourbillon. Mas, se o fizer, o motorista certamente experimentará uma experiência única. Não apenas pela velocidade em si, mas sobretudo pela obra de arte que é e o que significa o painel do novo Bugatti.

Quando eram novidade, as telas multimídia causavam fascínio. O problema é que a atual pasteurização dos carros levou a uma invasão dessa espécie de tablet automotivo, e hoje é raro um carro novo não tê-las. Alguns modelos chegam a ter três, só na frente: uma no papel de painel de instrumentos, outra no centro do painel e a terceira dedicada ao passageiro. Fora aquelas eventualmente instaladas nas costas do apoio de cabeça, para os ocupantes da fileira de trás – que se estiverem em um BMW i7 são oprimidos por uma tela de 8K brotando do teto, com direito a Amazon Fire TV.

Daí a genialidade do Bugatti Tourbillon, que escancara já no nome o apreço da marca fundada há 115 anos em Molsheim, na França, pela alta relojoaria. Seu nome refere-se à tecnologia que, em nome da precisão, aloja a âncora do escape e a roda de balanço (os dois mecanismos essenciais do relógio) em uma gaiola rotativa. A esse malabarismo deu-se o nome turbilhão, ou “tourbillon”, em francês.

“Desde que os fabricantes de automóveis começaram a adotar telas digitais e touchscreens nos carros, a taxa de progresso tem sido tão rápida que, em menos de uma década, a tecnologia parece ultrapassada. Imaginando o Tourbillon nos concursos de elegância não apenas daqui a 10 anos, mas talvez daqui a 100 anos, a filosofia de design do interior centrou-se na atemporalidade. Inspiradas no mundo da relojoaria, em que relógios de pulso com mais de 100 anos ainda podem ser usados hoje, integrados perfeitamente na moda e nos estilos de vida modernos, as equipes de design e engenharia foram pioneiras em uma autêntica experiência analógica na cabine”, explica a Bugatti.

Composto por mais de 600 peças e construído em titânio, com toques de pedras preciosas como safira e rubi, o conjunto pesa apenas 700 gramas. Já o console central é uma mistura de cristal e alumínio, revelando o intrincado funcionamento dos interruptores. Segundo a Bugatti, o vidro ali foi desenvolvido em 13 etapas distintas para garantir que fosse perfeitamente transparente e extremamente forte e seguro em caso de acidente. As peças de alumínio do console são anodizadas e fresadas a partir de um único bloco de metal.

Painel de instrumento é fixo na coluna; o volante vira, mas o painel não. Foto: divulgação

É o tipo de manufatura artesanal que se espera de uma empresa que criou uma carroceria feita de elektron, um composto aeronáutico muito rígido e leve que de tão inflamável não poderia ser soldado, mas sim rebitado. Isso nos anos 1930.

Setenta e cinco anos depois, já integrante do Grupo Volkswagen, a Bugatti inseriu no currículo um recorde inimaginável na época do Type 57 Atlantic, esse da carroceria rebitada de ponta a ponta: seu superesportivo Veyron 16.4 se tornara o primeiro carro de produção em série a romper a barreira dos 400 km/h.

Este fora sucedido pelo Chiron, agora substituído pelo Tourbillon. Para manter o patamar de velocidade e se enquadrar na era da eletrificação, o novo Bugatti é equipado com um V16 de 8,3 litros combinado a três motores elétricos (dois no eixo dianteiro e um no traseiro) somando assim 1.800 cv de potência. Além dos 445 km/h de máxima, o Tourbillon ostenta outros números vertiginosos de desempenho, como 0 a 300 km/h em 10 segundos. No modo puramente elétrico, roda até 60 km.

“Ícones como o Type 57SC Atlantic, conhecido como o carro mais bonito do mundo, o Type 35, o carro de corrida de maior sucesso de todos os tempos, e o Type 41 Royale, um dos carros de luxo mais ambiciosos de todos os tempos, constituem os nossos três pilares de inspiração. Beleza, desempenho e luxo definem o Tourbillon, o carro mais elegante, emotivo e luxuoso de todos. E tal como aqueles ícones do passado, não seria simplesmente para o presente, nem mesmo para o futuro, mas para Pour l’éternité – para a eternidade”, resume Mate Rimac, CEO da Bugatti.

Com um painel desses, fica difícil discordar.

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